Tratamento feminino: emoções que levam às drogas também ajudam na reabilitação

 
 

 A questão histórica cultural da mulher na sociedade e a carga emocional peculiar ao comportamento feminino podem ser fatores que as levam mais facilmente ao mundo do álcool e das drogas.

    Porém, os mesmos fatores emocionais podem ser aliados na realização de um tratamento eficaz, que exige do paciente uma entrega de si, algo que a mulher tem mais facilidade em relação ao homem.

A questão cultural, uma vez que até um período recente da história a mulher era mais submissa ao homem, é uma das primeiras a interferir no uso indevido de substâncias químicas.

Tratamento feminino
 
 

     “Com a mudança dos padrões sociais, a mulher hoje está mais independente, mais forte, mas também acaba por cair em problemas que antes eram mais identificados no universo masculino, como as drogas”, diz a psicóloga Maria das Graças Dias de Oliveira, da clínica feminina do Centro Paulista de Recuperação (CPR), unidade do Grupo VIVA no Embu – SP.

    Ela, inclusive, comenta espantada o aumento do uso de cocaína pelas jovens. “Já existem estudos que mostram que o consumo da droga é maior entre mulheres do que homens”, diz, lembrando que, entre as mulheres mais experientes, o consumo do álcool ainda é predominante.

 
 

     Para a psicóloga, uma grande diferença entre o tratamento masculino e feminino está no fato de a mulher ser mais apegada a questões sentimentais, à família, a emoções. Por isso, o tratamento num grupo de mulheres exige mais atenção, mais proximidade.

 
 

     “Elas, em certos casos, até se tornam dependentes, em conseqüência de uma grande carga emocional e afetiva que trazem dentro de si”, diz. Mas também garante que, pelo fato de elas se entregarem mais, aceitarem e até pedirem mais ajuda, o tratamento flui com mais naturalidade.

 
 

     E foi exatamente o que aconteceu com a ex-paciente que, nesta reportagem, identificada como “A”, de 22 anos. As drogas entraram em sua vida na própria casa, por influência do marido, o qual passou a acompanhar em festas após o nascimento do primeiro filho.

 
 

     “Foi aí que começamos a usar juntos, ‘de vez em quando’, o que veio a se tornar sempre”, diz. “Foi num ato de desespero que entrei na Internet e descobri o CT Viva. Marquei um horário, estava magra, depressiva, mas com esperança e com força de vontade”, complementa.

 
 

    Após mais de um ano de abstinência, ela registrou na página da clínica feminina (www.vivamulheres.com.br) sua satisfação com o tratamento, que pôs fim a um período de sofrimento em sua vida. “O que estava vazio começou a se encher de amor e felicidade. Passei a me amar e, conseqüentemente, passei a ser mais e mais amada pelas pessoas que me cercavam”, diz em seu depoimento.

 
     

 

 

 

 

 

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