João Guilherme Estrella

 
 

 OS cogumelos, muito conhecidos no ambiente da gastronomia e parte do imaginário infantil, são também parte do grupo de drogas alucinógenas que agem no cérebro e afeta os sentidos, causando alucinações (ver, ouvir, cheirar, sentir ou tocar coisas que não existem).

 

    Existem vários tipos de cogumelos psilocibinos, nome científico atribuído aos cogumelos que contêm Psilocibina e Psilocina, com alcalóides ativos. A psilocibina é quimicamente semelhante ao LSD. Os cogumelos psicoativos são todos aqueles que contêm estes ou outro tipo de alcalóides capazes que afetar o Sistema Nervoso Central.

    Os cogumelos são ingeridos crus, secos, cozidos ou em forma de chá, forma que é mais utilizada.  Depois de consumidos, os alcalóides dos cogumelos chegam ao cérebro e bloqueiam os efeitos da serotonina. Não foi encontrada informação sobre a utilização terapêutica dos cogumelos.

Jão Guilherme Estrella
 
 
 
 

Origem da droga

 
 

    As primeiras referências ao consumo dos cogumelos são encontradas em livros datados de 1502, nos quais era mencionado o uso de cogumelos em rituais nas festas de coroação de Moctezuma, o último imperador Asteca. Os conquistadores espanhóis, não preparados para os efeitos da droga, assustaram-se e proibiram o uso e a religião nativa.

    Foram também encontrados registros do médico do rei espanhol a relatar a ingestão de cogumelos pelos indígenas, por forma a induzir visões de todo o tipo, sendo estes muito apreciados em festas e banquetes. Após a conquista, o consumo de cogumelos com fins rituais e terapêuticos. Os cogumelos alucinógenos eram usados no México, Guatemala e Amazonas em rituais religiosos e por curandeiros.

 
 

Efeitos

 
 

    Os efeitos dos cogumelos parecem estar associados às condições psicológicas e emocionais do consumidor, assim como ao contexto em que esse consumo se verifica. São semelhantes ao LSD, mas menos intensos e duradouros.

    As primeiras reações começam por ser de caráter físico: náuseas, dilatação das pupilas, aumento do pulso, da pressão sanguínea e da temperatura. Se ocorrer ansiedade e vertigens, estas deverão desaparecer no período de uma hora. Para, além disso, o consumidor poderá sentir um aumento da sensibilidade perceptiva (cores mais intensas, percepção de detalhes) com distorções visuais e sinestesia ou mistura de sensações (os sons têm cor e as cores têm sons), acompanhadas de euforia, sensação de bem-estar, aumento da autoconfiança, grande desinibição e aumento do desejo sexual.

    Os efeitos alucinógenos podem acarretar alguma desorientação, ligeira falta de coordenação motora, reações paranóicas, inabilidade para distinguir entre fantasia e realidade, pânico e depressão. Os efeitos começam a surgir cerca de 25 a 30 minutos após a ingestão e podem durar até 6 horas.

 
 

Riscos do uso

 
 

    Provoca dores no estômago, diarréia, náuseas e vômitos. Pode também piorar problemas no nível de doenças mentais. Uma outra conseqüência desta droga poderão ser acidentes originados pela interpretação incorreta da realidade.

    Existem cogumelos venenosos que podem ser muito tóxicos ou até letais. A Amanita é uma droga muito perigosa, sendo, atualmente, responsável por 90% dos casos fatais de envenenamento por fungos. O uso prolongado desta espécie poderá levar à debilidade mental. Doses excessivas podem provocar delírios, convulsões, coma profundo e morte devido à paragem cardíaca.

 
 

    João Guilherme Estrella: De jovem de classe média à traficante. De presidiário à estrela de livro e filme

    O personagem principal de “Meu nome não é Jhonny” concede entrevista ao Grupo Viva onde conta tudo sobre seu uso, tráfico, prisão e vitória sobre as drogas.

    Quando o garoto João Guilherme fumou seu primeiro cigarro de maconha, aos 14 anos, não imagina as reviravoltas que sua vida ia dar. Atualmente tem 46 anos de idade e está gravando seu primeiro disco. João, mesmo nos tempos de “Barão do Pó”, já cantava suas músicas pelos bares do Rio de Janeiro.
    O garoto que estudou nos melhores colégios da cidade, conheceu a cocaína aos 23 anos e se tornou o maior traficante de drogas da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Segue trechos da entrevista:

 
 

    Grupo Viva: Muitas pessoas acham que as drogas só contaminam as camadas mais pobres da sociedade. Como se explica o fato de um jovem "bem de vida" entrar nesse mundo?

    João Estrella: Isso não é verdade, a droga é consumida em todos os estratos sociais. No meu caso temos que ver em que contexto comecei a usar e negociar substâncias ilícitas. Não estou me defendendo, nem legitimando quem usa dessa prática, apenas contextualizando em que aspectos foi feito o que eu fiz. O consumo de cocaína nos anos 80 era glamourizado, sendo que quem o fazia eram universitários, artistas, intelectuais e demais pensadores. A cocaína era muito cara e comercializada no "asfalto" sem armas e estes atuais traficantes. As bocas de fumo, como o nome diz , eram basicamente para venda de maconha nos morros. Após os anos do governo Brizola é que se popularizou o uso da cocaína no Rio de janeiro.

    GV: Você disse, em algumas entrevistas que nunca caiu a ficha quanto à dependência química. Isso se deve ao fato de você sempre ter a droga? Fale mais sobre seu uso.

    JE: Nunca caiu a ficha da dependência química por que não sou dependente químico. Isso me ajudou muito a me livrar desse hábito. Tinha sim problemas de compulsão.

    GV: Mesmo cheirando quantidades “intermináveis” de cocaína?

    JE: Sim. Para mim era apenas um hábito.

    GV: O que fez com que você entrasse de cabeça no uso de cocaína e no tráfico de drogas?

    JE: Comprava duas doses, uma para usar e outra para vender. Na seqüência a venda de drogas me trouxe assédio e uma sensação de falso poder. Essa é a pior droga.

    GV: Quem eram seus principais clientes? Muita gente famosa que ainda está na mídia?

    JE: Alguns sim outros não. O uso de cocaína nos anos 80 se dava em outro contexto.

 
 

    GV: Nunca imaginou que poderia ser preso?

    JE: Não achava que estava fazendo algo errado. Não colocava propaganda na TV, nem gritava "experimente" como certas marcas de bebida fazem. Meus clientes chegavam a mim e eu apenas os atendia. Ter sido preso de certa forma me ajudou a abandonar o uso, o tráfico e pensar na vida. Não falo que foi bom, mas teve seus benefícios. Se continuasse naquele ritmo não estaria aqui falando com você agora.

    GV: Quando isso aconteceu, você sentiu muito a falta da cocaína? Como fez para interromper o uso de forma tão brusca?

    JE: A situação nos primeiros dias no cárcere foram insuportáveis. Sentia falta de tudo e não me dei o luxo a ter uma crise de abstinência clássica. Passei por ela sim, mas não a identifiquei claramente. Achava que era o estresse da prisão.

    GV: O livro foi um sucesso. O filme vem tento recordes de bilheterias nas cidades onde está ou esteve em cartaz. Qual o motivo que as pessoas têm para se interessarem por uma história como a sua?

    JE: Tanto o livro como o filme são obras de arte interessantíssimas. Não por que tratam da minha vida, mas porque são muito bem concebidas e realizadas e, sobretudo, prazeirosas na leitura e na sala escura.

    GV: Dentro da sua história como mega traficante e usuário, você já teve amigos ou conhecidos que foram mortos ou internados em clínicas?

    JE: Mortos? Tive conhecidos que morreram devido a problemas no fígado , acidentes de automóvel por dirigir alcoolizado, assim como a maioria das pessoas, tenho amigos que se trataram em clínicas de recuperação e te digo que estão todos reabilitados.

    CTV: Muitos jovens de classes mais altas da sociedade começam no uso por "diversão" e acabam em uma clínica de tratamento. Qual a dica ou a mensagem que você pode dar para os jovens que ainda estão no começo do uso e para os que já estão em tratamento?

    JE: Não sou o dono da verdade. Perguntaria se eles sabem o que estão fazendo e caso não soubessem diria o que estão fazendo. Para quem está se tratando, o caminho é esse, a vida é bela!

    João Estrella teve sua vida escancarada e diz que conseguiu se livrar do uso da cocaína. Segundo o músico, a dependência química não o atingiu, mas lembremos sempre que cada pessoa tem um organismo mais propenso ou não a qualquer tipo de doença. Para ele o fato de “cheirar” quantidades intermináveis de cocaína era apenas um hábito, mas para a maioria das pessoas pode se tratar de uma vida perdida e as conseqüências podem ser ainda piores que os dois anos que João ficou privado de sua liberdade.

 
     
 
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