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Drogas - Uma viagem pelo corpo |
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Enquanto fazem escala pelos órgãos, elas ameaçam acusar confusão. A bagunça para valer, porém, começa quando chegam ao cérebro. Ali elas têm o poder de atrapalhar o trânsito das informações alterando o comportamento de seus usuários.
No início despertam sensações agradáveis, mas a dependência em seguida faz o corpo implorar pela droga e a falta dela vira um tormento.
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Uma vez acomodadas no sangue, iniciam sua viagem. A circulação pressionada pela turbina do coração é um transporte a jato, percorrendo 100 km de vasos, com conexões por toda a parte. A eventual escala no fígado pode barrar parte dos viajantes.
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Essa víscera tem função de policial de fronteira e as drogas não têm visto de entrada por ser substância tóxica e causar destruição e embora algumas sejam detidas, a maioria escapa e vão para o cérebro.
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Os neurotransmissores saltam de um neurônio para outro, passando o impulso elétrico para frente, mas as moléculas clandestinas das drogas alteram o nível dos neurotransmissores.
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São divididas em 3 grandes grupos: estimulantes, depressoras e alucinógenas. Seu campo de atuação no cérebro ainda não é completamente conhecido pelos cientistas.
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De acordo com experiência realizada com cobaias nos EUA, os usuários de drogas tendem a diminuir os intervalos entre as aplicações. É o fenômeno da tolerância: São necessárias quantidades cada vez maiores da substância para que ela produza o mesmo efeito no organismo.
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A teoria é de que atuem nos centros de prazer e saciedade do sistema nervoso. A passagem dela por aí é traiçoeira porque no início despertam alguma sensação agradável, mas depois passam a fazer chantagem: se antes alguém tomava a droga para sentir determinado efeito, é obrigado depois a tomá-la para seu corpo continuar a funcionar direito.
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O viciado em heroína precisa tanto da substância quanto qualquer pessoa precisa de alimento, e interromper o seu consumo é sofrer flagelos piores do que estar com fome. A interrupção de seu uso sem acompanhamento médico pode ser fatal.
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O tormento físico é chamado síndrome de abstinência. A da heroína só perde para a do álcool. O fenômeno ocorre porque a droga desregula o sistema nervoso.
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As moléculas dos narcóticos, derivados do ópio como a heroína, são parecidos como a de uma família de substâncias que os neurônios fabricam para controlar a dor física e modificar emoções como o medo e a angústia. Além de servirem de anestésico, eles diminuem a ansiedade e induzem o sono.
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Mas seu uso contínuo leva o cérebro a poupar suas energias deixando de produzir os neurotransmissores com moléculas similares à droga. O álcool pode agir de maneira semelhante, mas para isso, é preciso que alguém beba com freqüência grande quantidade de álcool. Doses moderadas de uísque podem até combater a hipertensão.
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O álcool é um depressor do sistema nervoso, mas o curioso é que pode agir em etapas. A primeira região a ser deprimida é aquela do comportamento voluntário, responsável por decisões do que se deve ou não fazer, ou em um só golpe, o álcool derruba a auto censura.
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Depois de alguns goles, a pessoa passa a liberar pensamentos e emoções que estavam de alguma maneira bloqueados, pode, por exemplo, falar da sogra, cair na gargalhada, soltar o choro, mostrar cansaço do dia a dia e adormecer em público.
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O próximo passo é ir para as áreas encarregadas da concentração da coordenação motora. Da mesma forma os remédios barbitúricos, criados a partir de 1903, deprimem o sistema nervoso.
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