Cocaína e a força de vontade

 
 

 De acordo com uma matéria da BBC, uma pesquisa do Trinity College, de Dublin, na Irlanda, revelou que a cocaína altera partes do cérebro associadas à força de vontade. Em muitos tratamentos contra a droga o principal meio para se abster é ter muita força de vontade. Se a cocaína deteriora a força de vontade do usuário e ele necessita dessa força para cessar o uso, podemos dizer que a pessoa que utiliza a droga está condenada à dependência?

 

    Não é bem assim, segundo Hugh Garavan, que liderou a pesquisa, os efeitos da cocaína e os motivos para o fim do uso variam de pessoa para pessoa. As descobertas levantam a possibilidade de que diferenças na estrutura cerebral possam fazer com que pessoas sejam potencialmente mais vulneráveis aos efeitos da cocaína.

    No estudo, os pesquisadores fizeram exames nos cérebros de usuários de cocaína enquanto eles faziam trabalhos no computador, os testes mostraram que a droga aumentou a atividade em áreas do córtex pré-frontal, região do cérebro associada ao controle emocional e à tomada de decisões.

Cérebro Cocaína
 
 
 
 

    Os exames também revelaram diferenças nas estruturas cerebrais dos usuários de cocaína. Ainda não se sabe se estas diferenças existiam antes dos examinados começarem a usar a droga ou se foram resultado do hábito.

 
 

    A pesquisa ajuda, também, a afastar a idéia de que a dependência de drogas é uma fraqueza moral e permite ver a dependência mais como um problema médico. Hugh Garavan disse ainda que o usuário é, muitas vezes, discriminado e tratado como uma pessoa sem caráter, fato esse não pode ser considerado como verdadeiro, principalmente depois dessa pesquisa.

    “Compreender o papel que nosso cérebro tem no processo que leva à dependência pode também ter implicações importantes para o tratamento da doença a longo prazo e também para a criação de novas terapias", acrescentou.            

 
 

   “Compreender o papel que nosso cérebro tem no processo que leva à dependência pode também ter implicações importantes para o tratamento da doença a longo prazo e também para a criação de novas terapias"

 
 

    O médico Gerome Breen, do Instituto Britânico de Psiquiatria, comenta ainda que os estudos anteriores a respeito do uso e dependência em cocaína se concentraram em aspectos emocionais do problema, como o prazer que a droga provoca, o desejo de consumi-la e a crise de abstinência, mas com o resultado da pesquisa e sabendo que os efeitos da cocaína no cérebro são multifacetados, fica menos complicado para se entender e tratar a doença.

 
 

    A definição de “força de vontade” é persistir, lutar e buscar forças para se livrar ou conseguir algo. Na questão da dependência química de cocaína onde, de acordo com a pesquisa, essa força fica abalada são necessárias técnicas de tratamento que agucem esse poder interior e, juntamente com profissionais qualificados, a pessoa consiga abandonar o uso da droga. 

 
     
 
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