Uma carreira disperdiçada por uma "carreira"

 
 

 André* é um jovem que hoje se encontra internado em uma das clínicas de tratamento para dependentes químicos do Grupo Viva. Com apenas vinte e dois anos de idade, já passou por diversos problemas e glórias na vida.

 

    Aos 13 anos o garoto André teve o primeiro contato com maconha e cola sapateiro e seus pais, que não aceitavam esse tipo de atitude em casa, colocaram o menino para fora e ele foi morar com os seus tios.

    O tio, dono de uma famosa casa noturna em Campinas, o levou para trabalhar com ele, com o intuito de ajudá-lo a parar com o uso e se tornar um homem de verdade.

    O que era para ser uma ajuda foi um complicador, pois na casa noturna André cheirou sua primeira “carreira” de cocaína.

    Depois da primeira vez, vieram várias outras e o uso começou a ser freqüente.

Campeão
 
 
 
 

    Nesse momento André já praticava seu esporte preferido, o Jiu-Jitsu, e com o sonho de se tornar um grande lutador, conseguir parar de usar a droga sem precisar do auxílio de ninguém.

    A carreira que estava em sua frente não era mais a de cocaína, mas sim a de esportista reconhecido pelos dois títulos de campeão brasileiro e uma excelente participação no campeonato mundial da modalidade.


    Os campeonatos vencidos deixavam o jovem ainda mais feliz e esperançoso. Nessas ocasiões de comemorações e felicidade o lutador, já com 18, teve o falso pensamento de que usar drogas para se divertir era algo normal, mas, com o passar dos meses o uso se tornou mais freqüente e descontrolado e, novamente, a carreira escolhida foi a da destruição.

    “Eu cheirava em qualquer ocasião e situação, todos os dias. Nesse momento já tinha perdido um relacionamento e minha promissora carreira”, comenta André.

 
 

    Não existiam mais treinos e nem campeonatos, e o lutador foi á lona sendo internado em três clínicas ficando um total de um ano inteiro internado para o tratamento da dependência de cocaína. Quando saiu o jovem não voltou a lutar, pois, segundo ele, existia uma grande vergonha em relação aos companheiros de esporte.

    Ficou tempos sem usar a droga, mas resolveu arriscar mais uma vez, e a recaída custou o retorno ao uso compulsivo e a perda total da dignidade. “Eu já andava armado, minha família tinha medo de mim e fugiu”, explica o ex-lutador.

 
 

    Histórias como essas são comuns. Pessoas que perdem sonhos se entregando a uma doença que contamina todas classes da sociedade.

    Do barraco à mansão vemos vidas destruídas e no esporte, depois da morte de Ryan Gracie, nos deparamos com André que, ao contrário do famoso lutador, ainda está ta tendo sua última chance e pode voltar a ser um grande lutador.

 
 

André está internado na clínica localizada na cidade de Piedade, interior de São Paulo, e, com muita luta e apoio do tratamento do que está recebendo pode mudar o rumo dessas histórias tristes.

    “Não quero ser melhor do que ninguém, apenas ter o meu lugar e o respeito da sociedade”, finaliza. A carreira do bem pode ser, junto com o acompanhamento psicológico, a principal ferramenta contra a “carreira” que destrói a vida de muitos e promissores jovens em todo o mundo. 

 
 

* Foi usado nome fictício para preservação da identidade do entrevistado.

 
     
 
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